tela de computador aberta no Facebook

Adivinha quem acabou de sair do Facebook!

Na manhã desta quinta-feira, a Folha de S. Paulo anunciou que não mais publicará conteúdos em sua página do Facebook. A página permanecerá ativa com os conteúdos antigos, mas não será atualizada novamente.

A medida foi tomada após analistas do periódico terem notado a queda do alcance das publicações da página na comparação entre janeiro do ano passado e o mesmo mês em 2018. Além disso, pesaram na decisão as mudanças no algoritmo do Facebook anunciadas há algumas semanas por Mark Zuckeberg, que prioriza o conteúdo publicado por pessoas sobre publicações de páginas de empresas.

A Folha viu, com estas duas questões, que tornou-se praticamente inútil continuar tentando alcançar o leitor através da rede social, já que as chances de os conteúdos chegarem a uma maior quantidade de pessoas estão reduzidas.

A Folha sempre manifestou a intenção de ser um veículo democrático, em que diversas posições políticas e opiniões são publicadas em seus artigos e editoriais, e acredita que, com a segmentação da informação, acabam sendo criados nichos ideológicos. Naturalmente, as pessoas já têm uma tendência de buscar estar perto e consumir conteúdos que contemplem suas posições e ideias, e as novas formas de receber informações apenas reforçam esta disposição.

Isso coloca em xeque o futuro do jornalismo nas redes sociais. Já foram feitos estudos sobre o assunto, inclusive. Um estudo conduzido pelo Instituto de Tecnologia de Massachussetts aponta que as redes sociais criam nichos ideológicos que apenas reforçam o isolamento das opiniões e o acesso a outros pensamentos. O que, nos tempos em que vivemos, em que há tanta intolerância e um constante temor pelo cerceamento da liberdade de expressão, representa uma ameaça.

Além disso, coloca em discussão se a decisão do CEO do Facebook  de reduzir o alcance das fanpages foi acertada. Depois da Folha, quem mais vai desistir da rede?