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Lugar de mulher

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By grano

on Thu Mar 08 2018

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Qualquer um que tenha o mínimo acesso às redes sociais e a outros veículos de informação já reparou que muitas coisas mudaram nas últimas décadas no que diz respeito ao lugar da mulher na sociedade. Não estamos falando sobre o fato de ela ter deixado a posição exclusiva de mãe e dona de casa e ter adentrado o mercado de trabalho. Estamos falando sobre voz.

Campanhas que falam sobre respeito, igualdade e luta contra os diversos tipos de assédio e violência estão por todo lado, qualquer um pode ver. Em uma época em que a voz de qualquer um é amplificada pelas redes sociais, as mulheres perderam o medo de falar.

Este clamor chegou às agências de publicidade e essa mudança de comportamento é nítida em novas campanhas de diversas marcas. Hoje as mulheres têm outro lugar na propaganda: não mais a dona de casa principal consumidora de desinfetantes e amaciantes de roupa, nem a garçonete sensual servindo cerveja para os homens, mas protagonistas decididas, personagens fortes no roteiro dos filmes publicitários.

Não era para menos: de acordo com os dados apresentados em um seminário na última edição do Festival de Cannes, 80% das decisões de compra em todo o mundo parte das mulheres. Portanto, se são elas que compram, por que não é para elas que vendem? As pesquisas mostram que 65% das mulheres não se sentem representadas pela forma como elas são retratadas nos filmes.

Felizmente, muito tem mudado. Mas, infelizmente, muitos ainda não compreenderam isso. E, muitas vezes, esta demora em evoluir começa dentro das agências. Ainda hoje o setor de criação é majoritariamente constituído por homens, sendo a presença feminina de apenas 20%.

Isso, sem falar no assédio. Uma pesquisa realizada durante o último mês de outubro revelou que 90% das mulheres que trabalham em áreas da comunicação já sofreram algum tipo de assédio. A mesma pesquisa mostra que 51% das mulheres já sofreu assédio sexual, a maior parte envolvendo algum tipo de contato físico. Na área de criação este número sobe para 64%.

Tudo isso reflete não somente na produtividade das funcionárias em seu trabalho, mas, sobretudo, na saúde das mesmas. Além disso, reflete na sociedade. É de se questionar que mundo é esse em que estamos vivendo que o ambiente de trabalho representa um lugar hostil, assustador e ameaçador para mulheres pelo simples fato de serem mulheres.

O dia de hoje existe para refletir sobre em que lugar estamos colocando as mulheres nas nossas empresas, nas nossas campanhas e ações. Como estamos as representando na criação das personas? Estamos reconhecendo seu trabalho ou seguimos tentando passar por cima, receber o crédito ou explicar o que elas já sabem? Estamos as colocando em situações constrangedoras dentro das nossas agências ou podemos dar a elas a confiança e a segurança de que precisam para exercer suas funções com tranquilidade?

O dia 8 de março como conhecemos hoje nasceu de um grito por direitos. No século XXI este grito reverbera para além das campanhas publicitárias bonitas com imagens de rosas e mensagens carinhosas. Não é sobre isso. É muito mais que isso.

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